Pesquisadores descobriram um novo tipo de célula que se encontra nas profundezas do pulmão humano e pode desempenhar um papel fundamental na doença pulmonar humana.
Os cientistas analisaram o tecido pulmonar humano para identificar as novas células, que chamaram de células secretoras das vias aéreas (RASCs). As células alinham pequenos ramos das vias aéreas nas profundezas dos pulmões, próximo aos alvéolos, onde o oxigênio é trocado por dióxido de carbono.
Os cientistas demonstraram que os RASCs têm propriedades semelhantes às células estaminais, o que lhes permite regenerar outras células necessárias ao normal funcionamento dos alvéolos.
Eles também encontraram evidências de que o tabagismo e uma doença comum relacionada ao tabagismo chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) podem interferir nas funções regenerativas do RASC, sugerindo que a correção desse distúrbio pode ser uma boa maneira de tratar a DPOC.
A DPOC é uma doença devastadora e comum, mas não entendemos realmente a biologia celular de por que ou como alguns pacientes a desenvolvem. A identificação de novos tipos de células, em particular novas células progenitoras danificadas na DPOC, pode realmente acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos, disse a primeira autora Maria Basil, MD.
A DPOC é geralmente caracterizada por danos progressivos e perda dos alvéolos, exacerbados pela inflamação crônica. Estima-se que a doença cause cerca de 3 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano.
Os pacientes geralmente recebem medicamentos anti-inflamatórios esteróides e/ou oxigenoterapia, mas esses tratamentos só podem retardar o processo da doença, não pará-lo ou revertê-lo. O progresso na compreensão da DPOC tem sido gradual em parte porque os pulmões de camundongos – animais de laboratório padrão – carecem das principais características dos pulmões humanos.
No novo estudo, os cientistas encontraram evidências da existência de RASC examinando as assinaturas de atividade genética de células pulmonares retiradas de doadores saudáveis. Eles logo perceberam que RASCs, que não são encontrados nos pulmões de camundongos, são células secretoras que residem perto dos alvéolos e produzem proteínas necessárias para o revestimento fluido das vias aéreas.
Observações de similaridade na atividade gênica entre RASCs e uma importante célula progenitora nos alvéolos chamados células AT2 levaram a equipe a mais uma descoberta: RASCs, além de sua função secretora, servem como progenitores para células AT2, regenerando-as para manter a população AT2 e a capacidade de reter alvéolos saudáveis.
Sabe-se que as células AT2 se tornam anormais na DPOC e em outras doenças pulmonares, e os pesquisadores encontraram evidências de que defeitos no RASC podem ser a causa subjacente dessas anormalidades.
No tecido pulmonar de pessoas com DPOC, bem como de pessoas sem DPOC com histórico de tabagismo, observaram muitas células AT2 alteradas de forma a indicar uma transformação errônea de RASC em AT2.
Mais pesquisas são necessárias, dizem os cientistas, mas os resultados apontam para a possibilidade de futuros tratamentos para a DPOC que funcionem restaurando o processo normal de diferenciação de RASC para AT2, ou mesmo reabastecendo a população normal de RASCs em pulmões danificados.
O estudo foi publicado na revista Nature.
2022-04-04 16:04:15
Autor: Vitalii Babkin