O que sabemos sobre geleiras? Esses são pedaços de gelo que se formaram ao longo de milhares de anos. À primeira vista, parece que não pode haver nenhuma questão de vida neles, uma vez que nenhum organismo pode resistir a condições tão extremas. Mas na verdade não é. As geleiras são o lar de um grande número de organismos, que formam todo um ecossistema nelas. Além disso, não estamos falando apenas de bactérias resistentes a baixas temperaturas, mas também de vermes grandes. Eles podem ser encontrados em geleiras no noroeste do Pacífico, bem como na Colúmbia Britânica e no Alasca. Eles são chamados de “vermes do gelo” (Mesenchytraeus solifugus) e são parentes distantes das conhecidas minhocas. O tamanho desses invertebrados é relativamente pequeno - seu comprimento chega a ~ 130 mm e o diâmetro é comparável ao do fio dental. Os vermes levam um estilo de vida bastante ativo, no sentido de que periodicamente rastejam para a superfície da geleira ou se escondem em suas profundezas.
Como os vermes vivem nas geleiras:
Os vermes do gelo vivem em colônias. Nos dias e noites de verão, um grande número deles aparece na superfície das geleiras em busca de alimento. Eles comem algas e detritos (um produto da decomposição do tecido, ou seja, os restos de invertebrados). Perto da manhã eles se escondem no gelo para "passar a noite". E no inverno vão fundo na geleira, onde ficam até o início da primavera.
Alguns cientistas consideram os vermes as criaturas mais misteriosas do planeta. Mas os vermes do gelo até os contornaram nisso. Afinal, eles aprenderam a sobreviver perfeitamente entre neve e gelo e se tornam mais ativos no ponto de congelamento da água. E quando a temperatura ambiente sobe para +5 graus Celsius, esses invertebrados morrem. A maioria das criaturas terrestres é incapaz de sobreviver a tais condições sem algum tipo de isolamento térmico cobrindo seus corpos. Mas como os vermes do gelo fazem isso?
Esta questão interessou os cientistas da Rutgers University, liderados pelo professor do Departamento de Zoologia e Biologia Daniel H. Schein. Em sua opinião, entender esses excêntricos biológicos é muito importante para as pessoas, e o estudo não tolera atrasos. Os vermes desaparecem junto com as geleiras e, muito possivelmente, logo desaparecerão por completo. Se os cientistas conseguirem descobrir como os vermes lidam com essas condições extremas, isso os ajudará a compreender os limites da vida na Terra e além.
Qual é o segredo dos vermes do gelo:
De acordo com as leis da biologia, quando a temperatura cai, as reações do corpo diminuem e o nível de energia cai. Animais de sangue quente queimam mais energia para manter uma temperatura relativamente constante, enquanto criaturas de sangue frio tornam-se letárgicas e até hibernam. Mas não minhocas de gelo.
Cientistas da Universidade Rutgers notaram que seus níveis de energia aumentam à medida que eles esfriam. De acordo com uma versão, uma molécula especial conhecida como ATP (trifosfato de adenosina) confere aos vermes essa capacidade. É uma molécula chave nos processos de energia de qualquer organismo vivo. É produzido usando uma enzima complexa chamada ATP sintase, que é quase idêntica em todos os organismos conhecidos.
Os vermes do gelo têm um mecanismo genético especial que cria ATP sintase. Como diz Daniel H. Schein, é um bit extra no DNA que acelera a produção de ATP.
A evolução é difícil de explicar, disse Shine, mas é possível que os vermes tenham emprestado parte do material genético dos fungos alpinos. Nesse caso, esse “roubo genético” é especialmente incomum porque o DNA “roubado” geralmente não é incorporado às mitocôndrias, onde o ATP é produzido.
Mas as características dos vermes do gelo não param por aí. Além da suplementação genética, eles têm um "termostato" celular alterado que permite que o ATP seja produzido em baixas temperaturas. Essas duas mudanças se combinam para significar que os vermes do gelo têm uma concentração de ATP celular muito mais alta do que a maioria das criaturas.
Além disso, os cientistas planejam estudar outra teoria segundo a qual os vermes são cheios de melanina, o mesmo pigmento que ajuda a proteger a pele humana da radiação ultravioleta. Mas, ao contrário dos humanos, os vermes do gelo possuem melanina por todo o corpo: no cérebro, nos intestinos e nos músculos. Alguns estudos mostram que, em certas situações, a melanina pode extrair energia da radiação solar. Os cientistas especulam que esse processo também pode ocorrer em vermes do gelo. No momento, eles estão verificando esta versão.
Como os vermes do gelo colonizam as geleiras:
A capacidade de gerar energia em baixas temperaturas não é o único mistério associado aos vermes do gelo. Os cientistas também estão interessados em como eles se movem de geleira em geleira. Para responder a essa pergunta, deve-se entender que esses invertebrados fazem parte de um ecossistema sobre o qual os cientistas ainda sabem pouco.
2021-08-24 14:46:52
Autor: Vitalii Babkin