Uma equipe de cientistas da Universidade de Nanjing, na China, projetou um neurônio artificial que pode se comunicar usando o neurotransmissor dopamina. Uma série de experimentos em ratos mostrou que esse neurônio pode liberar e receber dopamina junto com neurônios animais naturais. A solução será útil no desenvolvimento de interfaces cérebro-computador que lerão com precisão todos os sinais do corpo humano - elétricos e químicos.
Como os cientistas explicaram, a maioria das interfaces modernas criadas para estudar os sinais cerebrais medem sinais elétricos simples nos neurônios. Esses sistemas permitem que os computadores coletem e decifrem muitos dados importantes sobre o corpo, mas a maior parte da informação permanece oculta em neurotransmissores codificados – substâncias químicas como a dopamina que os neurônios usam para enviar mensagens uns aos outros. No outro dia, cientistas chineses anunciaram que descobriram como "extrair" esses dados ocultos da dopamina.
“A linguagem nativa do cérebro é química, mas todas as interfaces cérebro-máquina modernas usam linguagem elétrica. Portanto, projetamos um neurônio artificial para duplicar a maneira como um neurônio real se comunica”, disse o líder do estudo, Benghui Hu.
O neurônio consiste em um sensor feito de grafeno e um eletrodo de nanotubo de carbono que pode detectar quando a dopamina é liberada, relata a Techxplore. Se o sensor detectar o suficiente, um componente chamado memristor desencadeia a liberação de mais dopamina na outra extremidade através do hidrogel ativado por calor.
Hu e sua equipe mostraram que o neurônio é capaz de enviar e receber sinais de dopamina interagindo com células cerebrais de ratos. Além disso, é capaz de ativar os músculos do animal através do nervo ciático e movimentar o braço robótico - sem sinais elétricos. Essa descoberta promete facilitar o projeto de máquinas extremamente precisas que interagem com o corpo e o cérebro humanos.
“Na verdade, essa tecnologia tem grande potencial de expansão para sistemas mais complexos. Você pode fazer muitas coisas novas com ele”, disse Yoeri van de Burgt, da Eindhoven University of Technology, na Holanda, que também participou do estudo.
2022-08-22 13:30:14
Autor: Vitalii Babkin